sábado, 12 de maio de 2018

tempo

é meu bem mais precioso
do que ouro
que prefere pingo de chuva
a(a leitura)
que prefere dormir e cafuné
a(o descobrir dos mundos)
que prefere as brincadeiras de fé
a(o destino nos olhos de brilho fundo)
que prefere memória terna e calma
a(o fazer sem fim de si mesmo...)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Alvorecer noturno, ou, Fogos fátuos

Sim, é o sol, aqui. Logo aqui, batendo dentro do coração, combustível comburente, flama, me inchama, chama, dá um grito e pra fora estende os braços. Fera anímica, animada, aninhada em meu coração, traça, esta fera! Traça, pequena fera, de pequenas garras, tua existência neste chão, minhas veias em flama, minha imaginação em palavras correndo como águas neste rio quente, rio escaldante que evapora para tornar-se nuvens, movimenta o ar e tem coragem de correr com o vento!
Selvagem, elogio-te, que sublime é para mim que andas ao lado do vento, tu corres, tu queima-o, queima-se, expande-se eternamente, e como é sublime que o vento te carregue e apadrinhe, como fogo fátuo que anda a correr-voar no ar.
Sensível, pequenino, fogo, tu queima as palavras cravadas na madeira, torna-as ar. Da pedra orgânica, vibras e faz o crispado som, rugido ferino, da fogueira em nossos ouvidos, quem diria que tornas isto palavra! Quem diria! que dia. Que dia e está de noite.
Meus olhos fulguram com teu calor, inflamam-se, derretem os seus gelos, de minha alma, fogo que tornou minha retina aquecida, e o fátuo lentamente adentra este mar de retina, e vai se aprofundando em maresia, até ir muito lá no fundo, percorrendo sua sina senda caminho fantástico até o núcleo da terra.
Onde lá faz calor, e lá os outros fogos emitem muito mais, quando se reúnem em oceano brilhoso amarelo avermelhado.
Fogos fátuos escondidos de dentro da terra, fazem festa.

domingo, 12 de abril de 2015

É mais escuro, ainda.

O mundo, brilhando no beija-flor, convertia-se em vida, que logo se esvoaçava. O beija-flor subiu, ao seu ritmo rápido, às copas das árvores, beijou com intimidade. O mundo, esperava pelo beija-flor, abarcando-o com suas árvores, encantando-o com seus ventos, e ludibriando-lhe com o seu céu. Entorpecia o beija-flor com sumo de vida, e seu coração, mais nervoso, passava a correr nele o sangue da floresta. As memórias dos seres reviviam e se emocionavam, orgânicas. Estamos vivos, estamos vivos, como que os espíritos dissessem. O beija flor via o florescer de um sol dentro dele, um mundo que lhe queimava manso, um fulgurar festivo de espíritos de animais e cores, um reunir em roda frente à um mastro luzente, à frente de uma porta de Caverna. Seres menores, de cabeças achatadas, descoloridos, pintavam formas e as coloriam, e com um sopro, ou corrente de ar, se esbravejavam e rugiam, Leões apareciam, rugiam, desapareciam. Formas e desformas, o multicor do beija-flor jazia na neblina das nuvens, pintadas de umidade azul, que à cada batida do coração, reagiam multicor comò coração.
Beija-flor fechou os olhos, e os abriu, e os fechou e os abriu, e os fechou e os abriu e os fechou e os abriu, e o fechou e os abriu, e o fechou e os abriu... eles lá continuavam. tudo. os fechou e os abriu... eles sumiram, desapareceram... e os piscou, e todos se bagunçavam diante dele, abraçados, lutando. as cores que via eram animadas enquanto únicas, e logo que duas se chocavam, uma fumaça era absorvida pelo negrume do céu, e o restante se transformava em um nova cor. um novo animal.
Era dia de festa. E o Beija-Flor, decidido a continuar a viver, juntou-se à eles em corpo e espírito. E tornou-se vários.

***

e Não voltou. Quis eu piscar os olhos e o fiz.
E não voltou.
Fechei os olhos e os abri.
O Beija Flor brilhava, azulado preto e branco, iluminado pela Lua, estando a voar pós festa...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Revisita, risadas e Alia.

"A Vida era azul,
e a ela, devolveram tudo que era azul."

Mas é muito! Obrigada!

Tá tudo aí?

Não, mas, já é muito, e basta!

Tá! Basta mesmo?

Não, mas estou feliz!

E rimos.

-

Deixa eu mudar rapidinho,

Tá,

A Vida era azul,
e a ela, devolvi tudo que era azul.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

amantes.

eu aceito o mal,
eu aceito a dor,

eu aceito a pane,
eu aceito o medo, 
eu aceito o escuro.
eu aceito a tormenta,
eu aceito a sofreguidão.
eu aceito os lamúrios.
eu aceito a desesperança,
e eu tenho de agradecer,
eu aceito o meu dever,
eu aceito as minhas falhas,
eu me aceito, aceito,
para não haver mais eu,
para não falar mais nada,
e mesmo assim, falar.
falar, me tornar só voz.
eco,
o ar,
fluiu,
cola,
cola,
perdura,
estável,
isso,
amor,
assim,
é 
,
.
lembra, tá,
tá sim.
lá dentro,
guardo sim,
promete,
não,
poxa…
obrigado,
obrigada,
será que vai ser sempre assim, tanto passado e tanto futuro,
é assim?
… não sei.
vai ser?
e tanta dúvida, e pouca certeza,
é..
foi o que aceitamos, não foi?
mas passou, 
passou? 
não sei..
era tão real
quisera ser 
também,
construir,
sim,
aqui,
seguro,
isso,
acalma,
acalanta,
canta,
com a alma,
só para ti,

tá aí, 
tô sim,
ficou calado, 
fui a outro lugar, 
e era bom lá?
sim, mas, quis voltar
por mim?
sim,
volta,
tá,
espero,
oi,
,
dormiu?
sim,
oi oi,
foi bom?
foi, 
trouxe algo pra mim?

oi?
fui de novo,
e trouxe agora?
acho que não,
acha mesmo?
não sei.
estás mais calmo, sorriso,
estou,
abraço,
ternura,
trouxestes!
a alma se juntou, como que sem querer,
obrigada, 
obrigado, também, 
podemos dormir, 
podemos, 
deita,
,
isso,
sono,
xô ficar aqui, 
pode dormir, 
tá,
ei,
oi,
nem precisa trazer nada,
tá,
,
mesmo?
sim,
,
mas traz.
tá. estás agitado,
estou,
calma, 
calmo,
,
,
,
,
,
, , boa noite,
,
,

,  
,
, ,

.


sábado, 3 de maio de 2014

Ítaca.

Sentado, me ponho a ler, quietinho, desatencioso,
começo a voar, as palavras se tornam reminiscências,
constituídas inteiramente de um passado, de existências,
e pululo, aqui, a incapacidade de focar.

Eis, que sem concentrar, vejo o outro, mas não o leio,
ouço o outro, mas não o escuto,
escrevo, mas aqui não estou,
onde estou, afinal, ansioso,
neste vórtice que engole, e eu perdido,
me pergunto, estas palavras são minhas,
estas palavras são minhas?, como quem perde a meada, e tão logo,
não é bem recebido, marginalizado, posto de canto,
não pode ser assim,

aqui não me verão, aqui, só inverno,
repousa até virastes outra flor, que só quando floresces é que é,
de tantos tipos de flores,
as flores sofridas,
mordidas,
e um pouquinho comidas,
pairam no ar, resistindo, se alimentando da luz que vem do sol,
qual a esperança desta planta eu, minha vida,
se não, sobreviver, ir através,
e indo assim,
mares e mares vêm, e vindo, por virem, tornam sempre a vir,
divisão de mares, atravessando mares,
sendo esta toda uma viagem para Ítaca,
mas, por ventura épica, e sem mares,
eis o desespero de um marujo que não vê há muito a terra,
os olhos cheios de água, a maresia, que torna a entrar também no corpo,
a água já passa dos três quartos médios, quase à me tornar um inteiro,
à́gua viva, eu me jogo aos mares e me sinto quase fundido, eu através dele,
o mar translúcido, reluz
agora ele que me atravessa, e conduz, água viva, eis, que faço também voto de não comer,
e de fome, reviro apenas água, e torno a brincar com os peixes de luz do sol,
refletindo, e refletindo, os feixes passam, o sol passa, e a luz eu transvio, e
para lá e para cá eu vou, eu vou,
sem parar,
e sempre indo, caminho enquanto luz,
e pelo movimento demais, me desprendendo,
vir o vento, e vôo, ando e nado, agora, a dispor rajadas de ar às velas,
e as jangadas se tornam a meu serviço, do marujo,
e em direção à costa e com muita poeira, o barco atraca,
os pés de alegria atravessam o chão e a fazem esvoaçar através de mim,
que chegando tão perto, de tanta força a tanta areia, me dou por vencido,
e no chão descanso, no chão de minha nova terra, e no chão que sonhei em ver e conhecer.
eis a ilha, que agora eu compunha, tão logo minha vida por eu dela constituir,
mas minha não é palavra, uma vez que é de todos nós,
Ítaca.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mitologia de um Universo

Não há espaço nesta história. Estava parado, flutuando, imaginando, pensando, argumentando consigo mesmo sobre a existência das coisas e sua provável onipotência, pois ao imaginar as coisas estas começavam a tomar formas, das primeiras das coisas que fez, fez algo que medisse o tempo para ele, que tivessem um ciclo próprio e criassem um tempo através de voltas, construiu assim, as quatro primeiras partículas do universo que ele era.

Sim, ele era o universo, por isso não havia espaço para fora de si, só espaço interior. Tudo aquilo vinha de sua imaginação, como a primeira partícula, o primeiro átomo, a primeira molécula e então, o primeiro grande acúmulo de moléculas, o primeiro grande planeta: areia no espaço, podemos imaginar.

E então ele fez leis, coisas que fizessem estas próprias moléculas se perpetuarem, ora, sozinho, dono de tudo, gostaria de alguma surpresa na vida, e assim o fez e aguardou ansiosamente para sua invenção ter algum rumo, e de lá, saíram alguns pequenos animais, destes, alguns bípedes, destes, alguns capazes de desvendar os mistérios de onde tinham vindo e imaginar as leis deste próprio universo e, por Universo, eles estavam certos sobre algumas, conjecturavam umas outras.

Uma coisa que Universo percebeu era que, desde as pequenas moléculas, tratara de dar companhia aos seres, e sempre tentou e tentou reproduzir a si mesmo, fazer um outro onipotente, mas não conseguia já que nunca tinha visto a si mesmo,  só tinha o conhecimento de dentro e que ele mesmo havia feito, e agora pensava, de onde ele veio, será que há outro como ele.

As mesmas perguntas os humanos faziam, e estes, até avançaram mais sobre o Universo do que o próprio, pois tirou do pensamento o egocentrismo que permeia algumas das criaturas racionais, tais quais o próprio universo, estas criaturas bípedes pensantes foram capazes de imaginar as possibilidades quânticas, as possibilidades do é e ou não é, ora, como assim.

Universo compreendeu que toda vez que tomava uma decisão em seu imaginário; ele se multiplicava e dividia no mesmo caminho, tendo assim a cada resposta se reproduzido e separado ele mesmo de quem foi um dia, tendo vários clones de si, e ele sendo um dos poucos a conjecturar esta possibilidade, ele pensou, mas poxa vida o que vou fazer, em sua linguagem de Universo que nós humanos nunca entenderemos, talvez deva falar conjecturando com estrelas, distraindo-se com poeiras cósmicas, talvez como uma criança, brincando na areia, ou ligando os pontos das próprias estrelas, com as palavras sendo elas mesmas e as linhas entre elas os conectivos das frases, ( e isto levasse à Astrologia no mundo humano, uma vez que quando Universo queria que algo acontecesse, seus pensamentos se alinhavam e todos àqueles que eram influenciados pelo mesmo tipo de pensamento, ou seja, se comportariam de uma forma parecida em terra derivado de um acontecimento na formação do pensamento na criação destes mesmos seres humanos ou não humanos, mas voltando )

Universo então tentou se comunicar com seus clones, imaginou ferramentas e usou todo o pensamento possível, isto só levou a mais uma descoberta quântica indireta pelos humanos, os universos nunca entrariam em real contato entre si.

Universo estremeceu, galáxias se desformaram e estrelas acenderam tão forte que apagaram, grandes buracos negros surgiram, ele percebeu que de fato estava sozinho em toda sua existência e nunca seria capaz de conhecer algo que não fosse uma criação dele mesmo. A partir deste dia, Universo que antes estava constantemente em crescimento, agora estava destruindo-se de tristeza, optou pelo suicídio.